O Jardim de Deus: Lugar de Adoração

“O Jardim de Deus: Lugar de Adoração” (Gn 2.8-17)

Rev. Elizeu Chacon de Haro

A passagem bíblica no capítulo 2, versos 8 a 17, no livro de Gênesis, transmite um profundo sentimento de contemplação. À medida que lemos estes versos, somos levados a imaginar, em meio a nossa limitação, a beleza deste jardim mencionado no texto. Há muitos detalhes incríveis que nem sempre percebemos em nossas leituras neste início da Bíblia. Ele contém uma profunda riqueza em termos de ensino teológico e há muito a aprendermos com ele porque a riqueza de seu conteúdo vai muito além daquilo que podemos perceber em uma leitura simples. Estamos diante de uma descrição do Jardim de Deus Como Um Lugar de Adoração.  

Uma primeira coisa que esta descrição revela-nos é o Deus pessoal. A partir do verso 8, a Palavra de Deus nos diz: “E, plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado”. O primeiro e importante detalhe desta narrativa é a forma como o nome de Deus é apresentado: “E, plantou o SENHOR Deus…”

Se nós voltarmos para o capítulo primeiro de Gênesis, perceberemos que a narrativa da Criação traz de forma constante o nome Deus. Na língua original do Antigo Testamento, que é a língua hebraica, a palavra é Elohim. Esse nome traz consigo a ideia da transcendente majestade de Deus como o poderoso Criador. E isso está absolutamente em harmonia com o propósito do capítulo primeiro de Gênesis, no qual temos uma descrição detalhada da formação do Universo em seis dias através do poder da Palavra de Deus. Mas, quando começamos a leitura do capítulo 2, notamos que a narrativa muda o foco de um quadro mais amplo e geral para um quadro mais aproximado e centralizado na formação do homem, da mulher e no jardim. Então, antes do nome Deus, aparece o nome SENHOR, que na língua hebraica é YAHWÉH Elohim. Essa identificação corresponde ao nome pessoal do Deus da Aliança, ensinando-nos que o Deus Criador, transcendente, majestosos, poderoso, auto-existente que trouxe todas as coisas e todo o Universo à existência, também é o Deus pessoal que estabelece um relacionamento de proximidade com o ser humano criado à sua imagem e semelhança. E mais! Esse Deus Onipotente, plantou um jardim! O contraste que o autor coloca diante de nós deveria nos deixar extremamente impressionados! Por um lado, temos a transcendência de Deus como Criador, e por outro lado, também vemos sua imanência, ou sua proximidade como o Deus que se relaciona com sua Criação. Ele criou todo o imenso Cosmos que reflete a sua grandeza e eternidade, ao mesmo tempo dirige sua atenção ao homem. Ele criou toda a terra, e então ele dedica seu cuidado especial a um jardim. Um limitado espaço geográfico em toda a Criação.

A palavra jardim, aqui, traz a ideia de uma área demarcada e bem delimitada envolvida por grande beleza natural. Portanto, o jardim se apresenta como símbolo de bênção. Representa um lugar de paz, harmonia e bem-estar. A Escritura afirma que Deus, cuidadosamente, plantou este lugar com a finalidade de ser um lugar de paz.

Agora, veja. O texto diz: “… plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente…” O jardim foi plantado no Éden. A palavra Éden tem em seu significado a ideia de satisfação, felicidade. Deus plantou um jardim em um lugar de contemplação e descanso. O jardim do Éden, como lugar de adoração, foi o lugar onde o Deus Criador, colocou o homem formado à sua imagem e semelhança e estabeleceu um relacionamento com ele. Este lugar revela-nos, primeiramente, o Deus Onipotente como um Ser pessoal que está presente e próximo de sua Criação.

Nós fomos criados por Deus e recebemos dele a vida para permanecermos ligados a ele em um relacionamento pessoal. É por esta razão que nossa existência não possui sentido, a menos que reconheçamos a Deus como nosso Criador e o Sustentador de nossa vida. Viver na presença de Deus nos traz paz, segurança e alegria verdadeira. O Deus Criador do Universo é o Deus pessoal que não está distante, mas perto de todo aquele que o busca com sinceridade e humildade.